Segundo
dados do último censo do IBGE, há 24,5 milhões de brasileiros
com algum tipo de deficiência, o que representa 14,5% da população.
Mas, infelizmente, esse grande contingente de pessoas raramente é visto
circulando e participando das diversas atividades. Pois, além da falta
de acessibilidade, ainda sofre muito com o preconceito das pessoas classificadas
como “normais”, ou que não tenham nenhum problema aparente.
Para auxiliar e garantir um convívio mais natural e espontâneo
seguem abaixo algumas dicas para acabar com diversas dúvidas
que ajudam a solucionar situações do cotidiano.
Terminologia
Que termos usar e não usar. Estas recomendações valem
para a área de comunicação. Não se trata do politicamente
correto, mas sim de legitimar avanços de mudança de mentalidade
que as palavras devem refletir.
DEFICIÊNCIA é a terminologia genérica para englobar toda
e qualquer deficiência (física ou motora, mental ou intelectual,
sensorial e múltipla). O uso da preposição COM é
ideal para designar pessoas COM deficiência. Outras opções
são as expressões QUE TEM ou QUE NASCEU COM.
Exemplos: pessoas COM deficiência; ator QUE NASCEU COM síndrome de Down; menina QUE TEM paralisia cerebral; estudante COM deficiência visual etc.
Use INSERÇÃO quando estiver em dúvida se o caso relatado na matéria é de integração ou de inclusão. O vocábulo inserção é neutro porque não está vinculado a movimentos internacionais de defesa de direitos de pessoas com deficiência.
Não tenha receio em usar a palavra DEFICIÊNCIA. As deficiências são reais e não há por que disfarçá-las.
Use SURDO e nunca surdo-mudo. Sob a ótica da diversidade humana é natural existirem múltiplas formas de comunicação entre seres da nossa espécie, sendo impossível compará-las como "a mais humana" ou a "menos humana". O fato de a maioria das pessoas "falarem pela boca" não nos dá o direito de considerar esta forma de expressão como a única valorada, ou seja, o modelo. Esta é uma visão integradora, pois favorece a comparação entre condições humanas. Para uma pessoa surda é difícil falar o português, sendo natural que opte pela Língua de sinais brasileira (Libras). Neste caso, não é mudo, apenas SURDO.
A Libras não é uma linguagem, mas uma LÍNGUA. Existem outras formas de linguagem envolvendo ou não pessoas surdas como a linguagem gestual e a corporal.
Deficiências visual e auditiva são exemplos de DEFICIÊNCIA SENSORIAL. O aconselhável é retratá-las dessa forma: PESSOAS CEGAS (deficiência visual total) ou SURDAS (deficiência auditiva total); PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL (ou COM BAIXA VISÃO) ou AUDITIVA (há resíduo auditivo) ou PESSOAS QUE TÊM DEFICIÊNCIA VISUAL ou AUDITIVA.
Os substantivos CEGUEIRA e SURDEZ podem ser usados.
A palavra deficiente não deve ser usada como substantivo ("os deficientes" jogam bola"), mas pode ser usada como ADJETIVO. Essa preocupação fica mais clara de ser compreendida ao substituirmos "deficiente" por outros substantivos, como gordo, negro, magro, louro, careca etc. Quem usaria, em uma matéria, a expressão "os gordos", "os negros", "os carecas" etc.
A normalidade hoje é um conceito polêmico, por isso, para designar uma pessoa sem deficiência use o adjetivo COMUM. Exemplo: PESSOAS COMUNS, PESSOAS SEM DEFICIÊNCIA.... Pela mesma razão, evite usar "defeituoso", "incapacitado" e "inválido" ao se referir a alguém COM DEFICIÊNCIA.
A expressão síndrome genética é a mais indicada. Anote algumas sugestões que podem ser usadas para não repeti-la: EVENTO GENÉTICO; OCORRÊNCIA GENÉTICA; SITUAÇÃO GENÉTICA. Evitar o uso das expressões anomalia, mutação, erro, acidente e doença genética.
A palavra deficiente não deve ser usada para designar outras limitações como o alto grau de miopia. Existem critérios muito rígidos para designar o que é uma pessoa com deficiência visual ou cega. Por isso não é adequado dizer que "todos nós somos deficientes".
Para se referir às
escolas que não são especiais, o ideal é usar ESCOLA
REGULAR ou ESCOLA COMUM e no caso das turmas, CLASSE REGULAR ou CLASSE COMUM.
Adaptado do Manual da Mídia Legal, publicado pela Escola de Gente,
disponível no seguinte link: www.escoladegente.org.br
fonte: Agencia Inclusive
QUANDO VOCÊ ENCONTRAR UMA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Muitas
pessoas ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Esse
desconforto diminui e pode até mesmo desaparecer quando se proporciona
mais oportunidades de convivência;
Você
não deve ter receio de fazer ou dizer alguma coisa errada. Aja com naturalidade
e tudo vai dar certo.
Não
faça de conta que a deficiência não existe. Se você
se relacionar com uma pessoa com deficiência como se ela não tivesse
uma deficiência, você vai estar ignorando uma característica
muito importante dela. Dessa forma, você não estará se relacionando
com ela, mas com outra pessoa, uma que você inventou, que não é
real;
Aceite
a deficiência. Ela existe e você precisa levá-la na sua devida
consideração;
Quando
quiser alguma informação de uma pessoa com deficiência,
dirija-se diretamente a ela e não a seus acompanhantes;
Não
subestime as possibilidades e nem superestime as dificuldades;
A
pessoa com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas
próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas;
Nunca
pare o seu carro em estacionamento reservado para pessoa com deficiência
física. A vaga é mais larga que o usual para permitir que a cadeira
de rodas fique ao lado do automóvel e a pessoa tenha espaço de
circulação.
Ter
uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior
do que uma pessoa comum;
Provavelmente,
por causa da deficiência, essa pessoa pode ter dificuldade para realizar
algumas atividades e, por outro lado, poderá ter extrema habilidade para
fazer outras coisas. Exatamente como todo mudo.
A
maioria das pessoas com deficiência não se importa de responder
perguntas, principalmente àquelas feitas por crianças, a respeito
da sua deficiência e como ela se adapta para a realização
de algumas tarefas. Mas, se você não tem muita intimidade com a
pessoa, evite fazer muitas perguntas;
Sempre
que quiser ajudar, ofereça ajuda. Espere sua oferta ser aceita, antes
de ajudar;
Mas
não se ofenda se seu oferecimento for recusado. Pois nem sempre as pessoas
com deficiência precisam de auxílio. Às vezes, uma determinada
atividade pode ser melhor desenvolvida sem assistência;
Se
você não se sentir confortável ou seguro para fazer alguma
coisa solicitada por uma pessoa com deficiência, sinta-se livre para recusar.
Neste caso, seria conveniente procurar outra pessoa que possa ajudar;
As
pessoas com deficiência são como você. Têm os mesmos
direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos;
Se
ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza,
sinceridade e bom humor nunca falha.
Quando
convidar uma pessoa com deficiência para um programa, informe-se antes
sobre as características e acessibilidade do local escolhido, para não
frustar expectativas.